Sua letra fala por você: como a grafologia traça sua personalidade no papel

Especialista explica como a análise da escrita pode revelar fraudes e traços de personalidade — e ainda é usada por empresas em recrutamento

 

O escândalo envolvendo as supostas assinaturas falsificadas de Ana Hickmann reacendeu o debate sobre a grafologia — técnica que analisa a escrita à mão para identificar não apenas características de personalidade, mas também possíveis fraudes. A apresentadora, que acusa o ex-marido Alexandre Correa de ter falsificado sua assinatura em documentos bancários, afirma que nunca autorizou os papéis que resultaram em dívidas milionárias em seu nome.

Segundo Marcos Tonin, especialista em Recursos Humanos e estudioso de grafologia, a escrita manuscrita carrega marcas únicas e intransferíveis. “A assinatura é um gesto gráfico pessoal, tão exclusivo quanto uma impressão digital. Quando há falsificação, por mais que o traço pareça semelhante, é possível identificar incoerências no ritmo, na pressão e na fluidez da escrita”, explica. “É comum que quem tenta imitar uma assinatura consiga reproduzir o desenho, mas não o movimento. E é justamente esse movimento que a grafologia analisa.”

Embora não seja aceita como prova jurídica isolada, a grafologia é uma ferramenta complementar que já foi amplamente usada no Brasil. Um levantamento da Deloitte revelou que, em 2007, 42% das empresas brasileiras já utilizavam a análise da escrita como parte do processo seletivo — um crescimento em relação aos 34% registrados dois anos antes. “A escrita espontânea pode revelar muito sobre equilíbrio emocional, organização, capacidade de liderança e até propensão a assumir riscos”, afirma Tonin.

Países como França e Israel também lideraram o uso da grafologia em recrutamento. Em décadas passadas, cerca de 70% das empresas francesas chegaram a empregar grafólogos para avaliar candidatos. Em Israel, o índice chegou a 60%, com bancos exigindo o teste grafológico para todos os funcionários. Embora o uso tenha diminuído com o avanço dos testes psicométricos, a técnica ainda sobrevive em nichos, especialmente em processos para cargos de liderança ou em empresas que valorizam métodos tradicionais.

“Um dos argumentos usados a favor da grafologia é que ela oferece uma avaliação rápida, de baixo custo e difícil de ser manipulada”, diz Tonin. “Mas, como qualquer ferramenta, precisa ser usada com responsabilidade. O ideal é que esteja integrada a outros métodos de análise, como entrevistas e testes comportamentais.”

A grafologia também sofre críticas. Diversos estudos científicos questionam sua eficácia e apontam que os resultados podem ser subjetivos. Organizações como a Sociedade Britânica de Psicologia afirmam que a técnica tem baixa validade preditiva. Ainda assim, Tonin defende que, quando aplicada por profissionais treinados, pode fornecer insights valiosos, especialmente em casos onde aspectos comportamentais fazem diferença.

No caso de Ana Hickmann, os laudos periciais irão avaliar a compatibilidade entre as assinaturas contestadas e a escrita original da apresentadora. “A grafologia pode ser uma aliada na detecção de fraudes, mas nesse caso, o trabalho da perícia grafotécnica será fundamental”, diz Tonin. “O gesto de assinar algo carrega uma identidade. E é isso que está sendo questionado agora: quem, de fato, escreveu aquilo?”

Em tempos de assinaturas digitais e validações eletrônicas, o caso de Ana Hickmann mostra que a caligrafia ainda pode ser decisiva — tanto em disputas judiciais quanto em decisões corporativas. E que, mesmo em um mundo cada vez mais tecnológico, a escrita à mão continua dizendo muito sobre quem somos.
 

Jessica Estrela Pereira
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